Sunday, July 24, 2011

Árvore da Vida

Acabei de ver o filme "Árvore da Vida".
Vi- o em Alvalade porque era o cinema com melhor horário e, pela localização e por ser um cinema tão recente, achei que o tipo de público seria diferente daquele que encontro geralmente na cinemateca ou em locais mais antigos. Evidentemente não tenho nada contra o tipo de público que referi, até porque faço parte dele.
Bem, lá fui ao cinema e ao entrar na sala surpresa! Os velhinhos e os freaks todos lá. Lá me sentei no lugar indicado bem ao lado de uma velhinha que me tentou explicar uma piada que surgiu nos anúncios que passam antes do filme. Liberta da difícil tarefa de tentar entender o sentido do que a senhora estava a dizer, dediquei-me ao visionamento do filme que estava a começar.
O filme decorreu com normalidade até que, quase sem darmos por isso, começaram a surgir sequências de imagens da natureza em toda a sua força, maravilha, grandiosidade e mistério: rios, cascatas, seres biológicos e mitológicos...
Um velhote sentado umas duas filas abaixo da minha, do outro lado do corredor, começou a falar mal do filme de uma forma bem audível, repetindo frases como: que merda de filme! Que porcaria! Filme de merda! Fui enganado! Que treta! Olhem-me para esta merda!
Como é óbvio, passados cerca de vinte minutos destas cenas e das queixas do homem, esperava vê-lo levantar-se e sair o que não aconteceu. Parece que, já que tinha pago o bilhete, ficaria ali até ao fim, nem que fosse a infernizar os outros espectadores. A determinada altura (não demorou muito uma vez que a paciência não é uma das minhas virtudes) comecei a passar-me. O homem estava a irritar mesmo muito e eu não posso com faltas de civismo e educação, muito menos vindas de alguém com idade para ter juízo. Na minha mente surgiu a vontade gigante de o mandar calar quando, de súbito, o João -que nos últimos tempos anda muito reinvindicativo- emite um sonoro, intenso e imperativo: " Schhhhhhhhhhhh". Seguiram-se imediatamente outros de outros espectadores igualmente irritados. Fiquei uns momentos indecisa entre a surpresa e o alivio mas, quanto mais tentava concentrar-me no filme mais me lembrava do caricato da situação até que me deu um ataque de riso daqueles que fazem chorar. O homem lá continuou a resmungar até que uma senhora foi chamar alguém para o tentar calar.
Entretanto o filme retomou a acção dita "normal" e o homem lá se calou.
O filme, no meu ponto de vista, é uma recriação poética da forma de pensar a vida e a existência do protagonista. Ele, que já é um homem maduro, vive as angústias que herdou na experiência que foi a sua infância. Infância essa, marcada por um pai muito autoritário e desiludido, uma mãe carinhosa mas impotente e a tragédia da morte de um irmão.
O filme é interessante mas torna-se um pouco maçador. Acredito que, com menos imagens da natureza e menos cenas, se poderia dizer o mesmo, garantindo uma melhor atenção das pessoas. Não deixa de ser um bom filme, poético, repleto de imagens sublimes e com interpretações irrepreensíveis. O Brad Pitt definitivamente tornou-se um dos melhores actores da sua geração.

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