Wednesday, August 31, 2011

25-09-2006

Hoje sinto-me uma criança de sete anos. Sinto que não conheço nada e aceito agora a ingenuidade e inocência de que sempre fugi considerando-a pateta e inútil.
Descobri que o melhor remédio para os grandes males é o esquecimento.
Que estou a dizer? Não acredito em grandes males nem em grandes bens. Mas descobri que me posso livrar do que não me apetece com a quietude e o silêncio. Ignoro tudo o que penso não valer a pena.
Se calhar sou irresponsável, inútil e não sou exemplo para ninguém mas, de facto, interesso-me tanto por isso como por qualquer outra coisa que me passe ao lado.
Sou uma eterna criança que sabe que tem um brinquedo muito complexo e interessante composto por milhões de células utilizáveis e prestáveis durante pelo menos cem anos, sem o prejuízo de se queimarem algumas por uso excessivo. Existem mais!
Sei que vou estar muitas vezes envolta num nevoeiro frio e cerrado, dando passos inseguros à beira de um grande precipício. Já estou habituada a ele, está dentro de mim, algures entre o coração e o estômago. Contornando parte desse precipício existe uma montanha que tem um dos lados cheio de sol, cores e odores agradáveis... (Estou a gostar desse lado). No outro lado o clima é mais escuro e nublado, mas também gosto deste... dá-me conforto.
Por hoje vou continuar a apanhar sol e a correr sem destino.

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