Estou permanente e irresistivelmente ensonada.
As luzes, as pessoas e os sons abafados são telas descontinuas e estranhas que passam ao meu lado a cada instante.
Tento afundar-me numa cadeira, num banco de carro ou de esplanada e tento adormecer ou simplesmente desaparecer.
Raciocino sobre a minha falta de emoções. Formulo teorias. Não me apetece encontrar soluções. Talvez queira adiar o momento em que vou perceber que não existem soluções. Talvez queira ainda mais adiar o momento em que vou perceber que não existem problemas.
Não me importa nada. Não me importa ninguém. Sento-me no primeiro sítio onde encontro música. Alimento, mais uma vez, a mente com ela. Fecho os olhos e entro mais uma vez naquela realidade escura, confortável e melódica onde tudo estará sempre bem.
Fico ali, fico ali para sempre.
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