Existem dias em que pensamos que temos algo para fazer. Podemos querer faze-lo, ter que faze-lo ou escolher faze-lo por qualquer motivo. O que interessa é que sabemos que o vamos fazer da mesma forma que sabemos que temos que respirar para nos mantermos vivos.
Então, de forma subtil e irreversível, somos inundados com uma dose tão grande de eficiência e auto-confiança que, qual piloto automático, executamos tudo o que é pretendido de uma forma fria, maquinal e calculada até ao último pormenor.
Depois, podemos orgulhar-nos disso ou deixar entrar uma réstia de humanidade na nossa mente que, invariavelmente, nos vai quebrar, enfraquecer e perturbar bastante. Começamos a questionar... começamos a duvidar, começamos a abanar a bolha frágil e confortável da indiferença.
Começo a perguntar-me o porquê de ver tantas coisas sem sentido à minha volta e não fazer nada em relação a isso. Começo a perguntar-me porque é que me junto tantas vezes áquilo que considero (dentro da minha extrema prepotência e arrogância) um rebanho de criaturas dóceis e formatadas, e faço um esforço desumano para ser tão eficiente como elas.
E, quase sempre, dou por mim no meio do rebanho a sentir que sou a única que tem um bug.
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